Histórico


Votação
 Dê uma nota para meu blog


Outros sites
 UOL - O melhor conteúdo
 BOL - E-mail grátis
 Antonio Alves Tempo Algum
 Altino Machado


 
Blog de Maria Maia


Letras Palavras Versos  Poemas

Descem do céu do entendimento

Até minha pena



Escrito por maria maia às 14h27
[] [envie esta mensagem] []



Escrever a esmo. Deixar a palavra sair inculta e inopinadamente. Exercício de sobrevivência. Ver o tempo cobrir tudo com sua poeira implacável. O sono estremece a vontade. Corro para o teclado como se fosse uma fonte da vontade de dizer, em busca do que é preciso ser dito. Sim, existe uma vontade de dizer, de revelar histórias, experiências, vivências. Só que a fonte está dentro do lugar mais profundo do ser. Existe um lugar no ser que guarda tudo o que já vivenciamos. Alcançar este lugar é muito difícil. É mais fácil achar que a fonte da vontade de dizer esteja em algum lugar menos secreto da alma.

 

Borges fala de Buenos Aires, e mais precisamente do lugar em que nasceu, no bairro de Palermo. A escrita vira quase um código, cheio de expressões incomuns, difíceis de ser entendidas, pelo menos para o leitor estrangeiro. Talvez seja como Guimarães Rosa a falar uma língua inventada a partir da linguagem do povo das gerais, mas que na verdade e´uma língua própria e única. É uma língua intermediária entre uma linguagem própria só sua com a linguagem de Palermo, para Borges e das gerais, para Guimarães. E o exercício é tentar decifrar estes códigos. Um exercício que instiga o leitor, obriga-o a ser abrir para as dobras e mais dobras da alma do autor. Talvez tenha sido esta dificuldade que levou Graciliano Ramos a refutar o primeiro livro de Guimarães.  Inscrito num concurso literário, Rosa teve seu livro reprovado por Graciliano.

 

Quando Borges fala de outras coisas, menos pessoais e mais exteriores, ele se torna mais decifrável. Nunca é simples ou óbvia sua linguagem. Mas deixa às vezes a impressão no leitor de que pode ser entendida, ou simplesmente aceita.

 

Coloco o teclado nas pernas, como Clarice Lispector colocava a pequena máquina de escrever. Penso em como o exercício físico da escrita mudou completamente com o advento do computador. E por outro se manteve igual. Para ilustrar o primeiro, ou seja, o modificável, lembro que o teclado é uma máquina a de escrever mais simples e menos pesada de por sobre as pernas. Para ilustrar a segunda afirmação, lembro das facilidades que a internet trouxe para o texto, como a presença de dicionário acessível a um clique e à existência de um verdadeiro conhecimento enciclopédico disposto no Google e na Wikipédia. Para quem trabalha com pesquisa estas ferramentas são muito eficazes, salvo alguns equívocos e imprecisões.

 

Penso em Borges, que acreditava na existência de uma enciclopédia total. O que diria da internet o escritor de O Aleph? O que diria ele de um instrumento que é capaz de trazer com um clique um mundo de livros? Imagino Machado de Assis lendo Sterne em um tablet. Vendo toda sua obra disponível para baixar.

 

Oswald de Andrade dizia que o modernismo fez com que o tabu engolisse o totem. Na TV, no programa da Regina Casé uma popozuda, chamada a repetir a frase do modernista falou que o tabu engoliu o top. Já eu diria que com o advento da TV o tabu ficou pop.

 

Saudades do texto do Toinho Alves. Faz crônica como ninguém. Leveza, profundidade, uma santa ironia. Gostava de ler seu blog Tempo Algum, sucessor de O Espírito da Coisa, que por sua vez existia muito antes do advento da internet. Desistiu de escrever, o danado. E deixou deserdados seus assíduos e longínquos leitores como eu.

 

Tempos de código florestal. Se a mata ciliar deve ter 10 ou 30 metros para proteger os rios e córregos. E as enchentes causando tragédias como a do Acre. Milhares de desabrigados e o risco de epidemias. Fruto do descaso com o rio e a ocupação de terras baixas. Sem alternativa, a população pobre é obrigada a viver nas terras alagáveis.

 

Palpitar sobre tudo. O facebook  já ultrapassou a cifra de 1 bilhão de internautas.  É gente demais curtindo abobrinhas no planeta terra.

 

Beleza roubada. Filme australiano feito no rastro do velho Pasolini de Saló de Buñuel, da Bela da Tarde ou De Olhos Bem Fechados de Stanley Kubrick. Uma jovem estudante pobre é obrigada a ter vários subempregos como xerocadora ou servente de restaurante. Por dinheiro aceita ser sedada para assim ser alvo da tara de velhos super ricos.

 

Separação, de Asqhar Farhadi. Um casal iraniano se divide entre a mulher que quer emigrar para dar melhores condições de vida para a filha e o marido que quer permanecer no Irã para cuidar do pai com alzheimer.  Soma-se a este drama o conflito com a empregada cuidadora do  doente. Se estabelece entre eles um jogo de verdades e mentiras, profano e sagrado, certo e errado. 

 

Albert Nobbs. Troca de sexo no filme de Rodrigo Garcia. Albert é uma mulher que se faz passar por homem  e trabalha como garçom num hotel da Irlanda do século XIX. A atuação de Glenn Close e a caracterização da época salvam o filme.



Escrito por maria maia às 17h37
[] [envie esta mensagem] []



Busco assunto no meio do dia

Hoje de mim não sai poesia



Escrito por maria maia às 14h32
[] [envie esta mensagem] []



VERSOS LENTOS

 

Versos lentos entram pelos poros

vêm quando querem

Não os imploro



Escrito por maria maia às 18h48
[] [envie esta mensagem] []



 

SIMPLESMENTE 

 

Procura o simples, direto, conciso

Por exemplo: amar é preciso

 



Escrito por maria maia às 18h47
[] [envie esta mensagem] []



 

VERSOS ANTIGOS ME ABRIGAM

 

 Versos antigos me abrigam

São um mistério:

Vêm quando querem

E quando não vêm

Mandam o fastio

A aridez, o frio...

 

 

 



Escrito por maria maia às 18h36
[] [envie esta mensagem] []



INTENTO

 

Chove, chove, chove

A folha branca me chama

No chão, uma poça de lama

Por dentro algo se move

É tão vivo e me comove

Por fora separo a ganga

Palavras vão outras  ficam

Me enchem de vida

Miçangas que são coloridas

Unindo o dito e o não dito

Tudo existe pra ser palavra

Cá dentro suporto um calvário

sem uma lágrima

Se sofro,  rio,  calo ou canto

Pro poema pouco importa

Só dizem que não estou morta

Realizam  meu intento

Palavras descem ao vento por linhas tortas



Escrito por maria maia às 17h35
[] [envie esta mensagem] []



CHEGAM O POEMA E SEU SÉQUITO

 

Chegam o poema e seu séquito

Intrépido envia  sinais

Um leve tremor, uma vertigem

Um calor, um suor,uma vontade

 

Em busca das origens voo alto

Vou  ao canto onde o ar é rarefeito

Nada diviso direito

Busco à cegas a folha  de papel

 

Perco o poema ao léu

Procuro a custo sua ciência

Seu ritmo, seu  tom, sua exigência:

“ põe-me em verso”

Diz-me já sem paciência

Verso acéfalo, adônico, alexandrino

Verso esdrúxulo, glicônico, hexâmetro

Verso agudo, alcaico,  anacíclico

Verso acatalético, acéfalo, alcmânio

Verso grave, heptâmetro, heróico

Deixo tudo de lado

Vêm-me apenas estes versos de pés quebrados

 

 



Escrito por maria maia às 19h36
[] [envie esta mensagem] []



PURIFICAÇÃO

 

Vi  a dor seca

 sem lágrimas

a pior delas

a vida em brasa

queimava no peito

 a chuva lavou

o vento levou

o tempo maduro

purificou



Escrito por maria maia às 15h02
[] [envie esta mensagem] []



ABSOLUTO

 

incriados  Deus e seus atributos

 

em tudo  está presente

absoluto

chega ao coração do homem

que a chaga aberta consome



Escrito por maria maia às 15h01
[] [envie esta mensagem] []



PRESENTE OPRESSO

 

O tempo escorre lhano  fala e cala

Saber o que ele diz é que são elas

Entra em ouvidos moucos pouco atentos

Outros escutam quando não  falara

Há um passar de rio embaixo a ponte

Que une o presente opresso plano

a tempos e espaços tão humanos

 



Escrito por maria maia às 17h44
[] [envie esta mensagem] []



Era uma manhã tranquila e lhana: o sol seguia ardente naquele agosto de ar seco. Uma brisa quente anunciava a tão esperada chuva que não vinha. E o tempo passava lento os seus segundos. O céu azul, sem nuvens, fazia as vezes de mar. Ali ele resolveu surgir e se espraiar. Primeiro o cabelo espesso e preto seguido de uns olhos escuros e dentes claros. Sorria, mas era como um espasmo de dor. Era dificil aceitar que fosse humano. Primeiro, não tinha infância. Frases prontas lhes  saiam pela boca e descansavam. Chegou descalço, mas logo encontrou uma sapato de cadarço. Via-se claramente  que ele se agachava para amarrar em laço. Levantou-se entrou na casa e  foi direto pra cozinha. Lavou as louças sujas que encontrou. Era impressionante. Sim, ele era incrível. Nasceu sabendo lavar louças como ninguém.  



Escrito por maria maia às 19h39
[] [envie esta mensagem] []



Ouvi um menino falar: Deus é filho de Jesus

Ele, inocente,  não sabe que suas poucas palavras

Invertem e anulam as Escrituras.

 



Escrito por maria maia às 17h14
[] [envie esta mensagem] []



RITMO

 

 

A vida  inspira e expira

Em todo lugar, tudo gira

E unge o passante perdido

No tempo, diamante bruto

 

Os lustros não mais se contam

Só mínimos átimos recurvos

Seguem a corte das lembranças



Escrito por maria maia às 17h04
[] [envie esta mensagem] []



 

 DETÉM O TEMPO LIGEIRO

 

Detém o tempo que escorre

Ligeiro: palavra e imagem

Tornam o pensamento inteiro

Em busca do tempo perdido

a imagem veio primeiro

ma o verbo é sobranceiro



Escrito por maria maia às 17h03
[] [envie esta mensagem] []




[ página principal ] [ ver mensagens anteriores ]