Letras Palavras Versos Poemas Descem do céu do entendimento Até minha pena
Escrito por maria maia às 14h27
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Escrever a esmo. Deixar a palavra sair inculta e inopinadamente. Exercício de sobrevivência. Ver o tempo cobrir tudo com sua poeira implacável. O sono estremece a vontade. Corro para o teclado como se fosse uma fonte da vontade de dizer, em busca do que é preciso ser dito. Sim, existe uma vontade de dizer, de revelar histórias, experiências, vivências. Só que a fonte está dentro do lugar mais profundo do ser. Existe um lugar no ser que guarda tudo o que já vivenciamos. Alcançar este lugar é muito difícil. É mais fácil achar que a fonte da vontade de dizer esteja em algum lugar menos secreto da alma. Borges fala de Buenos Aires, e mais precisamente do lugar em que nasceu, no bairro de Palermo. A escrita vira quase um código, cheio de expressões incomuns, difíceis de ser entendidas, pelo menos para o leitor estrangeiro. Talvez seja como Guimarães Rosa a falar uma língua inventada a partir da linguagem do povo das gerais, mas que na verdade e´uma língua própria e única. É uma língua intermediária entre uma linguagem própria só sua com a linguagem de Palermo, para Borges e das gerais, para Guimarães. E o exercício é tentar decifrar estes códigos. Um exercício que instiga o leitor, obriga-o a ser abrir para as dobras e mais dobras da alma do autor. Talvez tenha sido esta dificuldade que levou Graciliano Ramos a refutar o primeiro livro de Guimarães. Inscrito num concurso literário, Rosa teve seu livro reprovado por Graciliano. Quando Borges fala de outras coisas, menos pessoais e mais exteriores, ele se torna mais decifrável. Nunca é simples ou óbvia sua linguagem. Mas deixa às vezes a impressão no leitor de que pode ser entendida, ou simplesmente aceita. Coloco o teclado nas pernas, como Clarice Lispector colocava a pequena máquina de escrever. Penso em como o exercício físico da escrita mudou completamente com o advento do computador. E por outro se manteve igual. Para ilustrar o primeiro, ou seja, o modificável, lembro que o teclado é uma máquina a de escrever mais simples e menos pesada de por sobre as pernas. Para ilustrar a segunda afirmação, lembro das facilidades que a internet trouxe para o texto, como a presença de dicionário acessível a um clique e à existência de um verdadeiro conhecimento enciclopédico disposto no Google e na Wikipédia. Para quem trabalha com pesquisa estas ferramentas são muito eficazes, salvo alguns equívocos e imprecisões. Penso em Borges, que acreditava na existência de uma enciclopédia total. O que diria da internet o escritor de O Aleph? O que diria ele de um instrumento que é capaz de trazer com um clique um mundo de livros? Imagino Machado de Assis lendo Sterne em um tablet. Vendo toda sua obra disponível para baixar. Oswald de Andrade dizia que o modernismo fez com que o tabu engolisse o totem. Na TV, no programa da Regina Casé uma popozuda, chamada a repetir a frase do modernista falou que o tabu engoliu o top. Já eu diria que com o advento da TV o tabu ficou pop. Saudades do texto do Toinho Alves. Faz crônica como ninguém. Leveza, profundidade, uma santa ironia. Gostava de ler seu blog Tempo Algum, sucessor de O Espírito da Coisa, que por sua vez existia muito antes do advento da internet. Desistiu de escrever, o danado. E deixou deserdados seus assíduos e longínquos leitores como eu. Tempos de código florestal. Se a mata ciliar deve ter 10 ou 30 metros para proteger os rios e córregos. E as enchentes causando tragédias como a do Acre. Milhares de desabrigados e o risco de epidemias. Fruto do descaso com o rio e a ocupação de terras baixas. Sem alternativa, a população pobre é obrigada a viver nas terras alagáveis. Palpitar sobre tudo. O facebook já ultrapassou a cifra de 1 bilhão de internautas. É gente demais curtindo abobrinhas no planeta terra. Beleza roubada. Filme australiano feito no rastro do velho Pasolini de Saló de Buñuel, da Bela da Tarde ou De Olhos Bem Fechados de Stanley Kubrick. Uma jovem estudante pobre é obrigada a ter vários subempregos como xerocadora ou servente de restaurante. Por dinheiro aceita ser sedada para assim ser alvo da tara de velhos super ricos. Separação, de Asqhar Farhadi. Um casal iraniano se divide entre a mulher que quer emigrar para dar melhores condições de vida para a filha e o marido que quer permanecer no Irã para cuidar do pai com alzheimer. Soma-se a este drama o conflito com a empregada cuidadora do doente. Se estabelece entre eles um jogo de verdades e mentiras, profano e sagrado, certo e errado. Albert Nobbs. Troca de sexo no filme de Rodrigo Garcia. Albert é uma mulher que se faz passar por homem e trabalha como garçom num hotel da Irlanda do século XIX. A atuação de Glenn Close e a caracterização da época salvam o filme.
Escrito por maria maia às 17h37
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Busco assunto no meio do dia Hoje de mim não sai poesia
Escrito por maria maia às 14h32
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VERSOS LENTOS Versos lentos entram pelos poros vêm quando querem Não os imploro
Escrito por maria maia às 18h48
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SIMPLESMENTE Procura o simples, direto, conciso Por exemplo: amar é preciso
Escrito por maria maia às 18h47
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VERSOS ANTIGOS ME ABRIGAM Versos antigos me abrigam São um mistério: Vêm quando querem E quando não vêm Mandam o fastio A aridez, o frio...
Escrito por maria maia às 18h36
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INTENTO Chove, chove, chove A folha branca me chama No chão, uma poça de lama Por dentro algo se move É tão vivo e me comove Por fora separo a ganga Palavras vão outras ficam Me enchem de vida Miçangas que são coloridas Unindo o dito e o não dito Tudo existe pra ser palavra Cá dentro suporto um calvário sem uma lágrima Se sofro, rio, calo ou canto Pro poema pouco importa Só dizem que não estou morta Realizam meu intento Palavras descem ao vento por linhas tortas
Escrito por maria maia às 17h35
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CHEGAM O POEMA E SEU SÉQUITO Chegam o poema e seu séquito Intrépido envia sinais Um leve tremor, uma vertigem Um calor, um suor,uma vontade Em busca das origens voo alto Vou ao canto onde o ar é rarefeito Nada diviso direito Busco à cegas a folha de papel Perco o poema ao léu Procuro a custo sua ciência Seu ritmo, seu tom, sua exigência: “ põe-me em verso” Diz-me já sem paciência Verso acéfalo, adônico, alexandrino Verso esdrúxulo, glicônico, hexâmetro Verso agudo, alcaico, anacíclico Verso acatalético, acéfalo, alcmânio Verso grave, heptâmetro, heróico Deixo tudo de lado Vêm-me apenas estes versos de pés quebrados
Escrito por maria maia às 19h36
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PURIFICAÇÃO Vi a dor seca sem lágrimas a pior delas a vida em brasa queimava no peito a chuva lavou o vento levou o tempo maduro purificou
Escrito por maria maia às 15h02
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ABSOLUTO incriados Deus e seus atributos
em tudo está presente absoluto chega ao coração do homem que a chaga aberta consome
Escrito por maria maia às 15h01
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PRESENTE OPRESSO O tempo escorre lhano fala e cala Saber o que ele diz é que são elas Entra em ouvidos moucos pouco atentos Outros escutam quando não falara Há um passar de rio embaixo a ponte Que une o presente opresso plano a tempos e espaços tão humanos
Escrito por maria maia às 17h44
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Era uma manhã tranquila e lhana: o sol seguia ardente naquele agosto de ar seco. Uma brisa quente anunciava a tão esperada chuva que não vinha. E o tempo passava lento os seus segundos. O céu azul, sem nuvens, fazia as vezes de mar. Ali ele resolveu surgir e se espraiar. Primeiro o cabelo espesso e preto seguido de uns olhos escuros e dentes claros. Sorria, mas era como um espasmo de dor. Era dificil aceitar que fosse humano. Primeiro, não tinha infância. Frases prontas lhes saiam pela boca e descansavam. Chegou descalço, mas logo encontrou uma sapato de cadarço. Via-se claramente que ele se agachava para amarrar em laço. Levantou-se entrou na casa e foi direto pra cozinha. Lavou as louças sujas que encontrou. Era impressionante. Sim, ele era incrível. Nasceu sabendo lavar louças como ninguém.
Escrito por maria maia às 19h39
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Ouvi um menino falar: Deus é filho de Jesus Ele, inocente, não sabe que suas poucas palavras Invertem e anulam as Escrituras.
Escrito por maria maia às 17h14
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RITMO A vida inspira e expira Em todo lugar, tudo gira E unge o passante perdido No tempo, diamante bruto Os lustros não mais se contam Só mínimos átimos recurvos Seguem a corte das lembranças
Escrito por maria maia às 17h04
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DETÉM O TEMPO LIGEIRO Detém o tempo que escorre Ligeiro: palavra e imagem Tornam o pensamento inteiro Em busca do tempo perdido a imagem veio primeiro ma o verbo é sobranceiro
Escrito por maria maia às 17h03
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